segunda-feira, 28 de maio de 2012

O MITO DAS CRIANÇAS AZÚIS: O QUE A ASTRONOMIA E A BÍBLIA FALAM SOBRE O ASSUNTO

A denominação "Criança azul" vem do tom azulado do Aglomerado das Plêiades

Recentemente, fui convidado para uma palestra de astronomia com observação ao telescópio. Eu acreditava que, com 29 anos de experiência seria o convidado para proferir a palestra. Obviamente, não fui. Fiquei atento à cada palavra, pois não sou o sabe tudo da astronomia, mas um curioso sobre tudo na astronomia.

No meio da palestra, comecei à ouvir algumas informações conflitantes com os meus parcos conhecimentos. Duas me chamaram à atenção: “Crianças azuis (ou Indigo) e Zona de Fotons no aglomerado das Plêiades”.  A situação piorou quando foi afirmado que Sir Edmund Halley havia previsto sobre o fenômeno.

Ora, Halley apenas estudou o movimento das Plêiades, mas sem descobrir nenhuma zona de fótons.
A suposta Zona de Fótons

Tudo isto se transformou em informação nova que nos meus 29 anos de estudos astronômicos, leituras e contatos com cientistas, nunca havia ouvido !

Uma senhora que estava ao meu lado, fez a seguinte pergunta: “Você não vê a novela das 6. Aquela que tem uma menina com um telescópio?” Foi ai que eu me toquei – Estava na Chapada dos Guimarães, local conhecido pelo seu esoterismo e apelo ufológico. E ainda por cima, o fato de eu não ter sido o palestrante... Tudo se encaixou.

Resolvi fazer uma pesquisa emergencial sobre o assunto e fiz descobertas interessantes !

Em 1991, uma revista chamada NEXUS, publicou um artigo intitulado: “A História do Cinturão de Fótons”. Uma história sem pé e sem cabeça, que infelizmente foi levada à sério por muitas pessoas até os dias atuais.

Por se tratar de uma história romântica, acabou virando uma espécie de Mitologia moderna ao redor do aglomerado das Plêiades, na constelação de Touro. Por tão absurda que é, trata-se de um conto pseudocientífico do qual só fiquei sabendo em Maio de 2012.

Trata-se de um misto de uma mistura de ignorância científica e histórica, ingenuidade, supostas mensagens de seres espaciais, com uma boa pitada de ensinos espiritas, alimentada por uma má interpretação do pensamento científico. Ah, eles misturaram também a citação de Jó 38:31: “Podes atar as cadeias das Plêiades, ou soltar os atilhos do Orion?”

A teoria afirma que em 1961, instrumentos instalados em um satélite descobriram uma anél de Fótons próximos das Plêiades e que se estende por 400 anos-luz.

Citando uma figura desconhecida (Não é astrônomo, não é pesquisador da NASA, não é nada...) por nome José Comas Sola, afirmam que o nosso Sol entra dentro da órbita deste sistema à cada 24.000 anos, passando alternadamente 10.000 anos na “escuridão” e 2000 anos na Luz.

Foi construído um diagrama que acompanhava o artigo, nos qual 6 estrelas das Plêiades eram mostradas e considerando o nosso Sol como a 7ª estrela das Plêiades.

Um repórter cético, ao ligar para a Australian UFO Research Flying Magazine, foi informado que a “história” havia sido escrita por um estudande universitário, talvez estudante de física, porém ninguém soube dizer aonde ele tinha obtido tal informação.

Diversos astrônomos e observatórios consideram a história toda uma grande piada, pois nunca foi observado sobre a tal Faixa ou cinturão de Fótons. Outro fato interessante é que satélites da década de 60 estavam interessados em telecomunicações e muitos equipamentos sofisticados só foram inventados anos mais tarde. Não é o caso de “segredos escondidos”, mas sim de coisas que nunca ocorreram, pois simplesmente não houve nenhuma pesquisa à respeito.

De acordo com outras informações que eu pesquisei, este “Cinturão de Fótons” é supostamente preenchido por uma ZONA ELETROMAGNÉTICA NULA, uma espécie de um vácuo de energia desprovido de campos electromagnéticos.

O problema é que satélites tais como IRAS, HUBBLE e ROSAT nunca detectaram nada. Ou Seja, a tal “zona nula” não existe.
O IRAS é um dos satélites que nunca detectaram nada ao redor das Plêiades


No mesmo artigo, o tal cinturão de Photons é citado como MANASIC RING,“um fenômeno que os cientistas não podem reproduzir em laboratório”. Como ninguém sabe o que significa MANASIC, então é algo que não pode ser recriado mesmo.
O suposto MANASIC RING


Seja lá que for ou tenha sido o tal de José Cornas Sola, ele estava bastante errado. Nosso Sol não faz parte das Plêiades, e nem tampouco órbita ao redor do lindo aglomerado.


As Plêiades estão a aproximadamente 125 parsecs ou 407.5 anos luz de nosso sistema solar.Um cálculo rápido mostra que se nosso Sol estivesse nesta órbita, então sua velocidade orbital seria de 0.107C, ou um pouco mais de um décimo da velocidade da luz.Isso equivale a aproximadamente 32.000 km / seg.Esta velocidade seria aparente, não só para astrônomos, mas a todos, como as constelações mudariam dramaticamente no curso de uma única vida se isto fosse verdade.


As Plêiades são um agrupamento de aproximadamente 100 estrelas com uma idade média estimada em 78 milhões de anos.Estas são estrelas muito jovens, muito mais jovens que nosso próprio Sol, estimado em 5 bilhões de anos, muito mais jovens, mesmo que o nosso próprio planeta, a Terra.

Estrelas azuis são muito quesntes, estrelas brilhantes do tipo B espectral, muito mais quente e cerca de 10 vezes mais massivas que nosso Sol, tipo espectral G. Elas ainda não se afastaram da nuvem de gás interestelar, ou nebulosa, da qual se formaram.Remanescentes desta nebulosa podem ser vistos prontamente em fotografias do grupo. Tem sido sugerido que esta nebulosidade, névoa brilhando com a luz das estrelas no interior, é o que deu origem ao mito do CINTURÃO DE FÓTONS.

Estudos dos movimentos das estrelas do aglomerado mostram que elas estão em processo de dispersão, ou seja, não há evidência de que nada esteja em órbita da estrela Alcyone, como alega o diagrama da revista.

Outro fato científico é que até hoje nenhum planeta foi encontrado ao redor destas estrelas, pois se tratam de estrelas jovens e a formação planetária pode levar muito mais tempo.

Para lançar uma “pá de cal” neste assunto, nem Edmund Halley, nem Friedrich Wilhelm Bessel jamais se envolveram em qualquer estudo ou hipótese de uma possível órbita do Sol em torno de Alcyone. Halley e Bessel estudaram as Plêiades, mas seus estudos foram voltados para o movimento próprio de suas estrelas, o que nada tem a ver com as ideias de Paul Hesse.

Paul Otto Hesse- escritor esotérico alemão, publicou em 1949 um livro intitulado “Der Jüngste Tag” (The Recent Day) em que apresentou suas ideias sobre o Sol orbitando Alcyone e a existência do cinturão de fótons. É possível que neste livro ele tenha citado de forma abusiva os dois astrônomos. Em um dos textos que encontrei, afirma-se inclusive que Hesse recebeu o Premio Nobel de Ciência !

Portanto, nenhum astrônomo jamais calculou qualquer órbita de 26.000 anos, do Sol em torno de Alcyone, foi tudo imaginado pelo escritor alemão.

Nosso sistema solar tem de 4,5 a 5 bilhões de anos, como poderia orbitar uma estrela que não tem mais de 100 milhões de anos ? Todas as estrelas da nossa galáxia se movem, assim como o nosso Sol. Algumas se afastam de nós, outras se aproximam, os astrônomos já determinaram que o Sol segue na direção aproximada da estrela Vega, da constelação da Lira.

É muito romântico pensar em nosso planeta saindo da escuridão para a luz, embora eu não ache que nossa fauna noturna fosse concordar.Um dilúvio de fótons das Plêiades não salvará o planeta, nem transformará seus habitantes em Atmosféricos iluminados.

O por que do meu interesse no assunto? Esta história de zona de fótons das Plêiades tem haver com a suposta imersão do nosso sistema solar, resultando do nascimento de Crianças Índigo – Crianças de Plêiades ou Crianças azuis. Ou seja, a apelação da Nova Era e do espiritismo para dizer que após 1997 (Início da Era de aquário) teve o início do nascimento de crianças superdotadas como resultado da reencarnação de outras gerações. Aqui está o enredo da novela AMOR ETERNO AMOR. Em pensar que tudo começou com a outra novela - Escrito nas estrelas...
A menina "azul" da novela falando com um espírito; O Telescópio apenas uma desculpa
Bem, então como não existe a tal Zona de Fótons, também não existem Crianças Azuis. Mas isto é tema de outro artigo. Concluo lembrando a Bíblia, que diz: “...que o mundo inteiro jaz no malígno.” (1 João 2:15-18) Assim, desde a queda estamos na escuridão.

Deus, entretanto, providenciou a Sua Luz para o povo que andava nas trevas. Isaías afirma: “ O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que habitavam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.” Is 9.2

Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” João 8:12 Porém muitos preferem contos e fábulas, do que a simples solução planejada pelo Criador do Universo.



Eduardo Baldaci é Pastor Batista, Bel em Teologia pelo STBN, apresentador do Programa “De Olho no Céu” e um dos 6 Astrônomos Amadores brasileiros reconhecidos pela NASA.

2 comentários:

  1. Olá Eduardo.Parabéns, ótimo artigo. Temos que divulgar ao máximo a ciência, ela chega para poucos enquanto que o esoterismo chega para muitos. É uma briga desigual mas não podemos desistir.

    Abraço.
    Izael R Santos
    Grupo de Estudos Astronômicos de Rio Claro - SP

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  2. Ivonete Alves/23 de fevereiro de 2015:Eduardo obrigado por existir em nos ajudar em constelações.

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